Crítica: La Casa de Papel


Criada por Álex Pina e transmitida pela emissora Antena 3, a Netflix mais uma vez deu um tiro certo ao apostar em La Casa De Papel e nos apresentar a trama envolvente do Professor (Álvaro Morte) e seus alunos. Chamada por alguns de Prison Break espanhola, a série de Álex foi capaz de levar o telespectador a suspirar, ansiar e admirar personagens e acontecimentos de uma primeira temporada primorosa.

Utilizando uma narrativa interessante, a série nos explica em seu piloto apenas o necessário para que possamos entender o que está acontecendo e sentirmos um pouco do gosto do brilhantismo plano que está começando a ser executado. Optar pelo uso de flashbacks é algo comum, porém que facilmente se torna cansativo se mal executado. 

Extremamente bem colocada em cada ponto da trama, a duração curta dos flashbacks e suas explicações de fácil entendimento, permitiram que o telespectador em nenhum momento ficasse totalmente perdido, sem entender o que estava acontecendo ou sem ter paciência para compreender uma ou outra lacuna que o roteiro deixava de propósito para ser completada posteriormente.


Tratando dos personagens, La Casa De Papel demonstrou desde o início que não existiria uma pessoa na trama que fosse necessariamente boa ou má, existindo variadas camadas e uma complexidade em cada história capaz de nosso fazer ter simpatia em um momento e quase ódio em outro. A partir desse conflito de sentimentos e aparências dos personagens, a série conseguiu criar pessoas em que os telespectadores poderiam se conectar tanto em seus acertos quanto em seus erros, tanto em suas qualidades quanto em seus defeitos, tanto em seus lados heroicos quanto em seus lados vilanescos.

Descobrindo ao longo da trama o passado e os motivos que levaram Rio (Miguel Herrán), Tóquio (Ursula Corberó), Nairobi (Alba Flores), Berlim (Pedro Alonso), Moscou (Paco Tous) e Denver (Jaime Menéndez) a arriscarem serem presos ou mortos, é praticamente impossível não torcer pelos seus sucessos e procurar justificativas quando agem de maneira burra ou errada. Entregar uma história complexa e que nos faça conectar com o personagem não é uma tarefa fácil, quem dirá conseguir fazer isso com mais de 10 personagens e que figuram posições tão distintas como as de criminosos, reféns e inspetores.

Ainda nesse sentido, existe uma complexidade em toda obra que brinca de polícia e ladrão em criar personagens com uma capacidade intelectual acima do comum, sem transformá-los em quase deuses, incapazes de errar e assim leva-los a repulsa do público. Se por um lado Professor precisa cometer alguns erros para provar que é humano e pode cair do seu cavalo; por outro, cada descoberta de Raquel (Itziar Ituño) deve ser muito bem explicada para não parecer que ela é uma "Xeroque Rolmes" e que as soluções aparecem do nada em sua mente.


Além disso, com o empoderamento feminino e os movimentos protagonizados pelas mulheres atualmente, é reconfortante ver que em La Casa De Papel as mulheres são retratadas em posições de destaque e de liderança em muitos momentos, sem haver a necessidade de um homem dizer como ela é forte ou que ela é capaz. Raquel, Tóquio, Nairobi, Mónica (Esther Acebo) e Alisson (María Pedraza) são responsáveis por grande movimentação da trama, possuindo um papel fundamental e que não se encontra limitado por homens, assuntos de relacionamento ou uma imagem de bela, recatada e do lar. Em La Casa De Papel, a mulher não é mero auxilio na hora do assalto, ela grita de volta quando um homem grita, ela protagoniza o motim dos reféns, ela não se arrasta aos pés do homem que promete mundos e não faz nada, ela protege o homem de apanhar e ela é, como diz Nairobi, “la puta ama”.

A série também trata de temas como a Síndrome de Estocolmo, a forma como Denver trata bem Mónica leva algumas pessoas a torcerem pelo casal e acreditarem que tudo aquilo é verdadeiro (eu mesma!), mostrando o porquê dessa síndrome existir, afinal se existem pessoas confortáveis em casa shippando pelo casal, imagina o que passa na mente das vítimas que apenas pensam em sobreviver e acabam vendo o seu agressor sendo gentil.

La Casa De Papel nos faz refletir ainda sobre até que ponto aquelas pessoas são monstros e até que ponto elas apenas acreditam ser a única forma de viver, sobreviver, considerando a corrupção presente na sociedade e a quantidade de pessoas que optaram por receber o dinheiro, tornando-se “sócios”. Dessa forma, percebemos que a sociedade se encontra doente e muitos se sentem mal com o que está ocorrendo apenas enquanto não recebem vantagens com a situação.


La Casa De Papel é muito mais do que um mero sequestro/assalto e é por isso que sua trama nos prende do início ao fim com quase a mesma intensidade. Embora existam erros, alguns exageros e escolhas fáceis como matar o personagem que nunca fala e não fará diferença, 90% deles não comprometem o plot e são esquecidos quando o episódio acaba, com exceção do "Alzheimer" veloz e momentâneo no momento mais oportuno para o Professor. Álex conseguiu criar um roteiro excelente que ao ser executado por um elenco muito competente se tornou genial, deixando um cliffhanger de matar qualquer um e algumas perguntas, como qual a relação entre Sergio e Andrés? O Professor foi burro e não limpou a casa ou deixou de propósito? E a mais importante, dá para matar o Arturo?

Mal posso esperar pela segunda parte!

Playlist da série:


Nota da série:






Um beijo e até a próxima série! <3

14 comentários:

  1. Eu me apaixonei por essa série. já me dói saber que possivelmente não terá a 3ª temporada. Mas aguardo ansiosa pela 2ª.

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    1. Pois é, triste mesmo que não tenha continuação, espero que eles terminem ela brilhantemente!!

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  2. Adorei a crítica, a série realmente te prende por diversas formas, e torcer por eles se torna inevitável, to amando a série e já estou louca pela 2º temporada!

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    1. Sim, prende demais!! Muitas vezes eu ficava brava com os reféns ahahaha Espero que a continuação seja maravilhosa!!

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  3. Confesso que ainda não terminei de ver porque toda a repercussão que a série ta tendo me fez pegar ranço dela. É tanta tirinha e tanto "la casa de papel pra lá" "la casa de papel pra ca" que olha, eu não aguento mais kkkk..

    Mas adorei sua crítica, até onde assisti eu gostei bastante da série, mas pra terminar só quando o ranço passar, haha..

    Beijos.
    spkyjmchrstms.blogspot.com.br

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    1. Realmente, só se fala nela, né? Ahahaha
      Mas termine sim! Ela é ótima! ❤️

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  4. Vi o último episódio da 1ª temporada ontem e quero muito ver a 2ª, esse é o tipo de séria que faz a gente pensar em como resolveria tudo e e eu já resolvi tudo na minha cabeça uma 3 vezes.

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    1. Nossa, muitas vezes eu jurava que o plano tinha dado errado, e puf, estava tudo nos planos do professor!! Ahahaha

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  5. Olha tenho que dizer que amei a série em toda a sua genialidade ! Muito diferente do que eu achei que seria me surpreendeu ao estremo e já até terminei de ver ela, gostaria muito se tivesse uma continuação, mais acredito que em time que tá ganhando não se mexe rs

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    1. É muito mara, né? Concordo com você! Tenho medo deles continuarem e estragarem ela!

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  6. uma das coisas que eu mais amei na serie é a trilha sonora alem do enredo ser muito bom tambem

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    1. A trilha sonora é incrível, né? Ficou na minha cabeça e agora do nada começo a cantar "Bella Ciao" ahahaha

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  7. Comecei a ver essa série ontem e estou simplesmente apaixonada. Adorei a crítica e obrigada por ter disponibilizado a playlist com a trilha sonora.

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  8. Resumiu super hiper bem a série, e tratou de pontos super importantes pra mim. Eu terminei a série a três dias após uma maratona intensa e ainda não sei nem o que dizer sobre ela. Só sei que foi um trabalho maravilhosamente bem feito e que, por mais que tenha achado maravilhoso terminar na hora certa, sem se alongar e perder o foco da história, ainda não aceito que tenha acabado kkkkk
    Beijo

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