Sonho de criança


Quando ele era criança, seu sonho era ser piloto. Talvez influenciado por seus carrinhos e desenhos que partilhavam desta profissão, talvez por algum programa que passava na TV, bem, na verdade, ele não se recordava de onde a vontade havia surgido. O fato é que, quando perguntaram pela primeira vez o que gostaria de ser, foi isso que ele respondeu.

Depois de muito brincar e imaginar, foi numa conversa qualquer sobre dinheiro que contaram como as coisas funcionavam. Ele ficou triste: “como assim, eu não vou fazer o que gosto?”. Isso parecia injusto. Afinal, naquela época, ele enxergava a profissão como uma brincadeira. Ele receberia por estar brincando!

É claro que, até então, era impossível entender todas as responsabilidades decorrentes disso. Quando ele cresceu e precisou escolher para qual curso prestaria vestibular, abriu vários guias e leu atentamente cada título que eles enunciavam, tendo apenas uma certeza: não importava muito o que “daria dinheiro” ou não. Mas as pessoas ao seu redor diziam que isso não lhe traria garantias de vida e foi então que seus sonhos foram trancados em uma gaveta.

Sim, existiriam custos de uma vida adulta o esperando. Vários deles. Haveria também muito esforço e suor em toda a jornada, mesmo que fosse a coisa mais prazerosa do mundo. É evidente que ele também buscava uma valorização em forma de moedas e notas, como qualquer ser humano, afinal, não dá para viver de amor e pagar contas com abraços. Mas ele não estava feliz, não se encaixava em nenhum lugar, então decidiu que um dia viveria seu sonho de criança.

Se a necessidade batesse mais forte em sua porta, ele saberia que precisaria correr, talvez, para outro caminho – em que os trocados viessem primeiro. Mas prometeu a si mesmo que jamais se desviaria daquilo que o coração havia escolhido primeiro. Mesmo que demorasse, este era o fator primordial. Uma hora ele chegaria lá.

E então, um dia, a sua profissão seria aquela que o faria sorrir por dentro e, vez ou outra, fazer com que se sentisse tal como a criança que ficou lá atrás. Contente por, no fim das contas, fazer aquilo que ama.

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