Crítica: Doutor Estranho


Doutor Estranho já começa com ação e elementos que nunca vimos no mundo real, como um prédio inteiro se abrindo e se desconstruindo de maneiras fisicamente impossíveis. Entretanto, existe um fascínio quase mágico em ver tudo isso e funciona como uma metáfora de um universo cinematográfico inteiro se remodelando através de um caleidoscópio, para acomodar um herói bizarro, ou melhor… Estranho.
No início do longa, Doutor Stephen Strange se assemelha a outro personagem também interpretado por Benedict Cumberbatch: um profissional que é o melhor de sua área e tem plena consciência disso, elementar meu caro Watson. O neurocirurgião passa os dias esnobando colegas e recusando casos que não sejam verdadeiramente desafiadores e lucrativos.Só que um acidente muda tudo. Ele perde a firmeza das mãos e se vê incapaz de exercer a profissão da qual tanto se gaba. Depois de esgotar suas chances na medicina tradicional, ele vai para Catmandu, no Nepal, em busca de um milagre e sua vida começa a mudar quase tanto quanto os prédios que aparecem no filme.

Doutor Estranho é apresentado para dimensões paralelas e pessoas capazes de mudar regras que ele tinha como certas. O universo dele se expande subitamente e ele começa a questionar a própria sanidade.


Todas as situações absurdas da história, como magia, objetos místicos ou mesmo cenas com ação de ponta cabeça em cenários impossíveis, dentro do contexto do filme e de dimensões paralelas, parecem até mais naturais do que um Capitão de 90 anos de idade derrotando vilões com um escudo de Vibranium. É difícil não ficar absolutamente hipnotizado pelo visual do longa e parar de procurar lógica no mundo que se desconstrói na sua frente, já que, como a Anciã (Tilda Swinton), a maga suprema e mestre de Estranho, diz, nem tudo precisa fazer sentido.

A Anciã  rouba algumas cenas enquanto exala sabedoria e estranheza, com uma pitadinha de humor. Ela compartilha seus conhecimentos sobre outros mundos e criaturas que estão além do alcance dos Vingadores como se fosse algo absolutamente normal. Talvez por ter virado uma rotina para quem está há muitos séculos defendendo a Terra de ameaças místicas. 


Todo o elenco consegue superar as expectativas. Mesmo quem já estava empolgado com atores como Benedict Cumberbatch (Sherlock), Tilda Swinton (Precisamos Falar Sobre o Kevin), Mads Mikkelsen (Hannibal), Chiwetel Ejiofor (12 Anos de Escravidão) e Rachel McAdams (Spotlight) vai adorar como cada um dos papéis funciona extremamente bem para eles.

Apesar de ser uma jornada divertida, que estabelece bem a cronologia da Marvel ao citar um evento de Homem de Ferro 2 de maneira corriqueira, o longa não vai abrir sua mente da mesma maneira que a Anciã fez com Doutor Stephen Strange. Entretanto, existe o bônus de que essa talvez seja a história de origem mais visualmente impressionante dos últimos anos.


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